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Boletim de Histórias - número 4 : 30/novembro/2005

 

Índice

1. Introdução: Jogos Indígenas
2. Corrida de Toras
3. História do Fogo - segundo o povo Xavante
4. Xikunahity: o "Futebol de Cabeça"

5. Atualizações no site

 

Introdução: Jogos Indígenas

Na semana passada, foram realizados os Jogos Indígenas, na cidade de Fortaleza.

Esse evento reúne índios de diversas etnias de todo o Brasil. As etnias competem entre si em provas esportivas como arco e flecha, corrida, canoagem, arremesso de lança, e também futebol. É algo semelhante às Olimpíadas, porém o espírito de competição não é tão selvagem. O lema dos organizadores dos Jogos é: "o importante não é competir, mas sim celebrar". Todos os participantes ganham troféus e medalhas, independente de suas colocações nas disputas.

Também são apresentados, como demonstração, alguns esportes tradicionais praticados apenas por algumas etnias. Como o Rõkrã, um jogo dos Kayapó, onde os índios rebatem uma pesada bola de coco usando bastões. Os jogadores têm de se preocupar em marcar pontos nos adversários e principalmente, em proteger suas canelas de eventuais choques com a bola, que são bastante doloridos.

Outro desses esportes tradicionais, que causa sensação, é o Kaipy, dos índios Gavião Parkatejê e Kyikatejê. Eles atiram suas flechas contra a folha de uma palmeira estendida no chão, de forma que a flecha ricocheteie na folha e atinja outro alvo.

Esse boletim detalha um pouco mais, dois desses esportes tradicionais: a corrida de toras, onde os índios correm carregando pesadas toras de madeira em suas costas; e o Xikunahity, uma espécie de "futebol de cabeça"

 

Corrida de Toras

A corrida de toras é praticada atualmente pelos índios Xavante (do Mato Grosso), Xerente (do Tocantins) e pelos grupos Timbira (Krahô, Canela, Apinajé, etc..) que vivem em Tocantins, Maranhão e Pará. As regras e ocasiões, em que são praticadas as corridas, variam de uma sociedade para outra. Em geral os índios se dividem em dois times. Dois adversários iniciam uma corrida, cada qual carregando nas costas uma tora, cortada na maioria das vezes a partir de um tronco de buriti, e pesando entre 60 a 100 quilos. Quando o corredor se cansa, passa a tora para outro de seu time que então continua a corrida.

As corridas podem ser feitas num percurso dentro da aldeia, ou então começando de um ponto fora e terminando dentro da aldeia. Ela nunca é feita do interior para o exterior da aldeia. São disputadas também corridas entre as mulheres.

Algumas corridas são disputadas apenas por diversão. Já outras estão ligadas a certos rituais. Dependendo do ritual, o ponto de partida varia entre poucas centenas de metros até vários quilômetros do ponto de chegada. Há variação também no formato da tora. Os índios Krahô utilizam durante a estação seca uma tora com a altura menor que o diâmetro da base, já na estação chuvosa invertem as dimensões da tora e pintam sua base de preto. Há inúmeras outras variações entre as toras utilizadas por cada grupo.

São os homens quem cortam e decoram as toras. Qualquer homem pode fazê-las, mas em ocasiões especiais os melhores artesãos são incubidos de prepará-las. As imagens abaixo são de índios Xerente preparando duas toras.

Apesar de ser uma corrida, essa atividade não tem um caráter competitivo. Vários índios já explicaram que a principal função da corrida é unir a aldeia, e não provar que um grupo é mais rápido e forte que outro. Há diferenças no número de participantes de cada time; há corridas em que o grupo da frente troca a tora com o grupo de trás, eliminando a vantagem obtida anteriormente; há corredores que correm mais devagar quando percebem que estão correndo junto com um grande amigo, etc... Um filme gravado na década de 70 entre os índios Canela, do Maranhão, mostra claramente que ao fim de uma dessas corridas de tora, o grupo que esta à frente diminui o passo ao chegar próximo à chegada, para que os dois times alcancem juntos a linha final. Na época os Canela também jogavam futebol, e uma das regras do jogo era que ele terminasse sempre empatado.

E por quê esses povos realizam essa corrida ? Não há uma resposta pronta. Há um conto na história desses povos sobre como os homens conseguiram o fogo, que está ligado às corridas de tora. Mas uma outra explicação possível é que as corridas sirvam como treinamento de sobrevivência no cerrado, onde todos esses povos habitam. A habilidade de correr rápido possibilita vantagens na caça a animais, e em confrontos com outros grupos.

Para saber mais:
- Corrida de Toras / artigo escrito por Julio Cezar Melatti, publicado na Revista de Atualidade Indígena, ano I, #1 em 1976 (disponível no endereço http://www.geocities.com/RainForest/Jungle/6885/artigos/a-toras.htm )

 

 

História do Fogo - segundo o povo Xavante

Antigamente os índios Xavante não conheciam o fogo. O segredo do fogo ficava escondido em uma árvore de jatobá e só o avô-onça o conhecia.

Os índios armaram um plano para roubar o fogo. Dois índios foram na frente, pegaram o tronco em brasas e saíram correndo. Gritaram: "arh ! arh! köe, köe, Kóe !". E assim surgiu o grito da corrida de toras.

O avô-onça ficou bravo e decidiu que a partir daquele dia não teria mais dó de ninguém.

Os corredores iam revezando a lenha em brasa de ombro em ombro, como na corrida de toras. Cada corredor transformava-se num animal, conforme o tipo de terreno em que corria. As crianças que iam correndo atrás pegavam as brasas, enfeitavam o corpo e iam virando passarinhos. Depois da corrida, chegaram com o fogo na aldeia. Lá um velho recebeu o fogo e o distribuiu para todos da aldeia.

Assim surgiu o fogo, assim os meninos viraram passarinho, assim os Xavante viraram animais, e os que sobraram são os Xavante de hoje.

Para saber mais:
- Wamrêmé Za'ra - Nossa Palavra: Mito e História do povo Xavante / contado por Sereburã e outros velhos da aldeia Pimentel Barbosa, e traduzido por Paulo Supretaprá Xavante e Jurandir Siridiwê Xavante; 1998

 

Xikunahity - o "Futebol de Cabeça"

Os índios Pareci contam que seu criador, Wazare, realizou uma grande festa após distribuir seu povo pela Chapada dos Parecis, no Mato Grosso. Na festa, Wazare mostrou aos índios a função da cabeça no comando de todo o corpo e na capacidade de desenvolver a inteligência.

Em seguida, Wazare ensinou aos índios um jogo chamado Xikunahity, outra demonstração da importância da cabeça.

Nesse esporte, os índios dividem-se em dois times. Jogam num campo dividido ao meio por uma linha. Cada time fica em uma das metades do campo, como numa quadra de vôlei.

Os atletas lançam uma bola para o campo do adversário. A bola tem de ser rebatida para o outro lado mas não pode ser tocada com os pés, mãos, ou qualquer outra parte do corpo; somente com a cabeça.

Para dificultar a resposta do adversário, os índios procuram manter a bola correndo rente ao chão. Os jogadores mergulham em direção ao solo e golpeiam a bola com o cuidado de não rasparem o rosto na terra. A equipe marca pontos quando seus adversários não conseguem devolver a bola. Os grupos realizam apostas. O Xikunahity é praticado apenas pelos homens adultos.

A bola é feita pelos Pareci, a partir de sucessivas camadas do látex da árvore mangabeira.

Para saber mais:
- Xikunahity - Uma nova prática esportiva / artigo publicado na revista Brasil Indígena ano I #3, em 2001

Atualizações no site Iandé

Foram acrescentados algumas peças no Museu Virtual da loja Iandé.
As fotos de cada peça estão nos links a seguir:

- Machado de Pedra, dos índios Rikbaktsa

- Peneira, feita pelos índios Baniwa

 

Foram acrescentadas algumas peças de cerâmica, trançadas e de capim dourado; à venda na loja virtual Iandé

 
 
Iandé - Casa das Culturas Indígenas: rua Augusta 1.371 , loja 07 - Galeria Ouro Velho - São Paulo
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