Iande - Arte com Historia

Iandé Arte com História

a arte do Brasil feita em
comunidades tradicionais
localize-se> Página Inicial> Cadastro> Boletim #22 - 28/maio/2007  

Boletim de Histórias - número 22

Índice

1. Introdução: Histórias Indígenas sobre o Dilúvio
2. História do Dilúvio, segundo os índios Kaingang
3. História do Dilúvio, segundo os índios Guarani
4. Remos Indígenas
5. Atualizações no site

 

1. Introdução: Histórias Indígenas sobre Dilúvios

A "Arca de Noé" é uma das mais conhecidas histórias de todo o mundo: após 40 dias de chuva sem fim, a água cobriu todas as terras. Salvaram-se apenas Noé, sua família e um casal de cada bicho que, após o fim do dilúvio, povoaram novamente a terra inteira.

A história de Noé faz parte da mitologia judaica. Em vários outros locais porém, também contam-se histórias sobre a terra sendo coberta pelas águas: na antiga Babilônia, na Grécia... Também na Lituânia com sua bela lenda sobre os gêmeos Wandu e Wejas, a água e o vento, que destruiram toda a terra exceto as cascas das nozes comidas pelo deus Pramzimas, e que serviram de abrigo para um casal que sobreviveu ao dilúvio. Há muitos outros destes relatos...

Entre os índios do Brasil também existem histórias sobre o ciclo de destruição da terra e sua posterior reconstrução pelos sobreviventes. Este boletim da Iandé traz duas histórias indígenas sobre grandes dilúvios que se abateram sobre os índios. São histórias dos índios Kaingang e Guarani, duas etnias que vivem nas regiões sul e sudeste do Brasil.

 

 

2. História do Dilúvio, segundo os índios Kaingang

Em tempos imemoráveis deu-se um dilúvio que cobriu a terra inteira habitada pelos antepassados dos índios Kaingang. Somente o cume da serra Krinjinjimbé (a Serra do Mar) sobressaía das águas.

Os índios nadaram em direção à serra, cada um com um luminoso tição entre os dentes. Alguns não aguentaram e afundaram. Suas almas foram viver dentro das montanhas.

Os Kaingang chegaram ao alto da serra com dificuldade. O espaço era pequeno e muitos subiram nas árvores porquê não havia lugar para todos. Passaram alguns dias sem que as águas baixassem e sem que houvesse mais alimentos.

Os índios já esperavam a morte quando ouviram o canto das saracuras. Elas voavam trazendo cestinhos com terra que derramavam sobre as águas. O trabalho era lento e elas chamaram outras aves para ajudá-las. Depois de algum tempo, as águas começaram a recuar e formou-se uma planície onde os Kaingang já podiam viver.

As saracuras haviam começado a jogar a terra do lado onde nasce o sol. Por isso é que os rios daquela região nascem todos na costa do Brasil e correm para dentro do continente, desembocando no grande rio Paraná.

Alguns homens que haviam subido nas árvores decidiram não descer mais, e transformaram-se em macacos. Outros índios que haviam subido nas palmeiras jerivás deixaram os pés pendendo dentro das águas. Os índios comiam as frutas da palmeira e os peixes vinham apanhar os caroços jogados na água, mas mordiam também os pés daqueles índios. É por isso que hoje o dedo mindinho de nosso pé é menor que os outros.

 


cestos, dos índios Kaingang

 

Para saber mais:
- O Índio Kaingang no Rio Grande do Sul; de Ítala Irene Basile Becker
- Novas Contribuições aos Estudos Interdisciplinares dos Kaingang; organizado por Kimiye Tommasino, Lúcio Tadeu Mota e Francisco Silva Noelli
- Revista do patrimônio Histórico e Artístico Nacional nº21 de 1986; publicação da Fundação Nacional Pró-Memória do Ministério da Cultura

 

 

3. História do Dilúvio, segundo os índios Guarani

Papari desejava desposar a irmã de seu pai, o que era proibido pelas normas da terra.

Mas Papari realizou seu desejo e a terra começou a tremer. Quem primeiro ouviu foi o pássaro kuchiu (um pássaro que até hoje canta quando vai chover). Ele disse: "Ei, vocês ! Ouviram o que eu ouvi ?"

Os outros fizeram troça dele. Mas a terra continuava a tremer e kuchiu não parava de se lamentar: "Vocês ouvem o que eu ouço ?". Mas como ninguém acreditava nele, ele se calou.

Quando as águas chegaram, kuchiu foi o primeiro a voar. As outras aves também fugiram. Papari entrou dentro da correnteza e rezou aos céus:

- Faça com que novamente surja uma pequena palmeira pindo azul, ó meu Pai primeiro !

Seu Pai teve piedade e fez crescer a árvore no meio das águas. Papari agarrou-se a ela e se salvou. Seu Pai lhe disse:

- Agora sim, meu filho Papari, você possui o saber das coisas. Seu coração é grande, e isso é bom ! Se as coisas se arranjarem um dia, você, do alto, enviará palavras aos seus companheiros !

E Papari passou a ser chamado Karai Jeupié, o senhor incestuoso.


Para saber mais:
- A Fala Sagrada: Mitos e Cantos Sagrados dos índios Guarani; de Pierre Clastres

 

 

4. Remos Indígenas

 

remo dos índios Rikbaktsa (Canoeiros)
remo dos índios Rikbaktsa (também chamados "Canoeiros"):
rio Juruena - Mato Grosso

 

remo dos índios Karajá
remo dos índios Karajá: rio Araguaia - Tocantins

 

remo dos índios Mehinaku
remo dos índios Mehinaku: rio Kurisevo - Mato Grosso

 

remo dos índios Hixkaryana
remo dos índios Hixkaryana: rio Nhamundá - Pará

 

remo dos índios Waurá
remo dos índios Waurá: rio Batovi - Mato Grosso

 

remo dos índios Asurini
remo dos índios Asurini: rio Xingu - Pará

 

 

 

5. Atualizações no site Iandé

 

A-) Foi acrescentado um barco de brinquedo no Museu Iandé:

- Barco de Brinquedo dos índios Tukano, do Amazonas

 
 
Iandé - Casa das Culturas Indígenas : rua Augusta 1.371 , loja 07 - Galeria Ouro Velho - São Paulo
Horário de funcionamento:   segunda a sexta
das 9:00 às 17:30h
fone: (11) 3283.4924
email: iande@uol.com.br