Iande - Arte com Historia

Iandé Arte com História

a arte do Brasil feita em
comunidades tradicionais
localize-se> Página Inicial> Cadastro> Boletim #25 - 28/setembro/2007  

Boletim de Histórias - número 25

Índice

1. Introdução: Origem de Plantas Comestíveis
2. A origem do Pequi (índios do Alto Xingu)
3. A origem do Amendoim (índios Macurap)
4. A origem do Guaraná (índios Sateré-Mawé)
5. Arte Indígena: Raladores de Mandioca

 

1. Introdução: Origem de Plantas Comestíveis

A origem da mandioca é uma das histórias indígenas mais conhecidas de todo o Brasil. Conta-se que o primeiro pé de mandioca brotou da sepultura de uma menina índia muito querida. Em algumas versões mais poéticas, as lágrimas dos parentes da menina regaram o solo antes do surgimento da planta. Esta história foi registrada em dezenas de versões com pequenas variações entre si.

A origem de plantas comestíveis a partir do corpo de uma criatura divina gerou diferentes histórias entre povos do mundo inteiro. São mitos chamados de "tipo-Hainuwele", em referência à lenda indonésia de uma mulher deste nome, que deu origem a todas as plantas comestíveis após sua morte. Foi uma das primeiras histórias deste tipo estudadas por antropólogos.

Este boletim da Iandé mostra histórias indígenas sobre a origem de certas plantas: o surgimento do guaraná segundo o povo Sateré-Mawé do Amazonas, o surgimento do amendoim segundo os índios Macurap de Rondônia e o surgimento do pequi segundo as etnias que vivem no Alto Xingu/Mato Grosso. Há poesia nestas histórias, assim como na lenda da mandioca. E também violência, sexualidade e irreverência.

 

 

2. A origem do Pequi, segundo os índios do Alto Xingu

Era uma vez um homem casado com duas esposas. Ele desconfiava que as duas estavam lhe traindo.

Um dia ele seguiu as mulheres até um lago. Elas chegaram à beira da água e chamaram pelo Jacaré, que saiu do lago e namorou com as duas. As índias e o Jacaré eram amantes.

O marido delas ficou com muita raiva. Ele matou o Jacaré e bateu nas esposas. Depois pegou sua rede e foi embora pro mato. As mulheres ficaram tristes, queimaram o corpo do amante e ficaram morando ali.

Depois de um tempo, no local onde estavam as cinzas do Jacaré, nasceu a árvore do pequi .

Naquela época o pequi não tinha cheiro. Foi um homem que pegou os frutos e deitou-se na porta da casa das mulheres. Quando elas abriam as pernas para cruzar a porta passando por cima dele, o homem esfregava o pequi na vagina delas. Assim o fruto ficou cheiroso, como é até hoje.


pássaro de madeira representando um beija-flor
detalhe de bastão cerimonial usado na "Festa do Pequi", índios Waurá

 

 

Para saber mais:
- Xingu: os índios, seus mitos; de Orlando e Claudio Villas-Bôas
- Mapulawache, a Festa do Pequi; filme de Aiuruá Mehinaku (projeto DOCTV)

 

 

3. A origem do Amendoim, segundo os índios Macurap

Doinmã era um menino pequeno. Ele fazia cocô de amendoim. Não saía bosta, saía amendoim mesmo.

Ele gritava para sua mãe: "Mãe, estou com vontade de fazer cocô". Aí a mãe lhe dava uma panela de barro, Doinmã sentava e enchia de amendoim.

A mãe cozinhava aquele amendoim para todos.

Um dia a mãe saiu e deixou o menino com seu tio. O menino gritou: "Tio, quero fazer cocô"

- "Vá lá fora" - disse o tio

Mas o menino pegou a panela e fez seu amendoim ali mesmo. O tio ficou com raiva ao descobrir de onde vinha o amendoim e bateu no menino. Bateu tanto que a criança morreu.

Mas depois acabou pegando de novo a criança e mandou-a ressuscitar, para aumentar o número de pessoas.

 

Para saber mais:
- Terra Grávida; de Betty Mindlin e narradores indígenas (a história "O amendoim", resumida acima, foi contada por Überiká Sapé Macurap e traduzida por Biweiniká Atiré Macurap)

 

 

 

4. A origem do Guaraná, segundo os índios Sateré-Mawé

Antigamente existia uma jovem chamada Onhiámuáçabê. Todos os animais da selva queriam casar com ela mas Onhiámuáçabê tinha dois irmãos que não a deixavam namorar.

Um dia ela estava passeando na mata quando uma cobrinha lhe tocou na perna. Bastou isso para que Onhiámuáçabê ficasse grávida.

Seus irmãos ficaram furiosos. A moça deu à luz a um garoto, construiu uma casa e criou seu filho lá, sozinha.

O menino cresceu forte e bonito mas um dia foi morto por seus tios.

Onhiámuáçabê chorou muito. Ela arrancou os olhos do filho e os plantou. Do olho direito nasceu o guaraná.

A mãe juntou os pedaços do filho, mastigou uma planta mágica e lavou o corpo dele com sua saliva. Depois o enterrou e cercou a sepultura com estacas. Depois de um tempo a criança ressuscitou. Foi o primeiro índio Sateré-Mawé que existiu.

 

Para saber mais:
- Os Índios Maués; de Nunes Pereira
- Sateré-Mawé: Os Filhos do Guaraná; de Sônia da Silva Lorenz

 

 

 

5. Arte Indígena: Raladores de Mandioca

 

ralador de mandioca, índios mehinaku
índios Mehinaku, Alto Xingu, Mato Grosso

 

ralador de mandioca, índios Baniwa
índios Baniwa, rio Içana, Amazonas

 

ralador de mandioca, índios Enawenê-Nawê
índios Enawenê-Nawê, rio Iquê, Mato Grosso

 

ralador de mandioca, índios Wai Wai
raladores, índios Wai Wai, rio Mapuera, Pará

 
 
Iandé - Casa das Culturas Indígenas : rua Augusta 1.371 , loja 07 - Galeria Ouro Velho - São Paulo
Horário de funcionamento:   segunda a sexta
das 9:00 às 17:30h
fone: (11) 3283.4924
email: iande@uol.com.br